POXA... GESTOR TAMBÉM É HUMANO...
Este tem sido um dos desabafos mais comuns nas reuniões de coaching. Na tentativa de justificar comportamentos supostamente equivocados, de retratar o cansaço e ao mesmo tempo de manifestar suas frustrações pela evidente limitação humana, os gestores repetem esta frase em voz alta para o coach, ou silenciosamente em suas reflexões diárias.
Sim, é verdade, gestor também é humano, o problema dessa expressão é que geralmente ela vem com sentimento de culpa, de derrota, de dever não cumprido e, em alguns casos, de desespero. E estes sentimentos só contribuem para o aumento dos níveis de stress, de desânimo, de doença e perda de eficiência, combustíveis para uma relação distorcida entre empresa e pessoas.
Todos nós, seres humanos, temos nossas características e nem sempre elas serão adequadas às situações que precisamos enfrentar, entretanto, mesmo conhecendo esta limitação, mesmo sabendo ser impossível a perfeição, as pessoas nutrem a ilusão de que conseguirão. Isto acontece por que apesar das nossas diferenças, das nossas individualidades e das nossas dificuldades, o ambiente corporativo exige um determinado padrão e a tarefa de gestão exige um determinado comportamento.
Então, os gestores precisam empregar um olhar mais racional sobre a questão, é necessário aceitar suas características individuais, reconhecer as inadequações e realmente querer fazer adaptações. Este é o primeiro passo, mas só consciência não faz nada, é preciso ter método para dar sequência ao processo e segurança na sua execução.
Por exemplo, uma pessoa que não gosta de fazer exercícios não passará a gostar só por que tomou consciência de ser indispensável (adequado) à sua saúde. Para que ela cumpra com a exigência de seu cardiologista deverá criar um método, ter horários fixos na academia e rotina pré-estabelecida que a induza a esta tarefa, caso contrário, abandonará o projeto e viverá culpada, frustrada, stressada e arrependida, podendo, inclusive, ter seu problema de saúde agravado.
Método, este é o segredo. O coaching racional tem exatamente este foco, os gestores precisam desenvolver métodos que os auxiliem a “driblar” suas dificuldades, sejam elas quais forem. Algumas pessoas são inseguras, outras impacientes, algumas não sabem cobrar, outras tem dificuldade de delegar. Enfim, basta entender que características pessoais não são adequadas a função de gestão e criar métodos para neutralizá-las.
Isto, certamente trará um ganho significativo para a empresa, pois melhorará a eficácia do gestor, mas também para a própria pessoa, pois diminuirá muito suas frustrações e níveis de stress.
Artigo publicado no Portal Amanhã, em 22/09/09.